segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E lá vamos nós!


Lembram dessa bruxinha do Pica-Pau? Nossa, que nostálgico!

A minha infância inteira foi permeada por maravilhosos desenhos animados que coloriam as tardes em que eu era proibida pela minha vó de sair de casa. Ir brincar na rua de barro seco era minha atividade preferida, mas eu a substituía com gosto pelas animações que o SBT exibia.

Existem episódios incríveis que nunca saíram da minha cabeça. Eles simplesmente serviram como exemplos em muitos aspectos da minha vida e eu chego a acreditar que quem diz que na TV não passa de nada de construtivo não sabe o que ta dizendo! rs. 

Com os desenhos animados que eu assisti, depois de chegar da escola e comer bolinho de chuva bebendo Nescau, aprendi lições que carrego sutilmente comigo pro resto da vida. Uma delas é essa daí, da bruxinha. "E lá vamos nós!".

Sinceramente eu não me lembro do episódio inteiro, não. Só sei que no final das contas existe essa chatinha aí que não desistiu até achar sua vassourinha mágica. Ela paga sua moedinha ao Pica-Pau (eu acho que é assim, rs), pega uma vassourinha num grande estoque, "monta" sobre ela, arrasta seu pezinho e diz em alto e bom som a célebre frase que você já deve ter repetido pelo menos uma vez na vida.

Lembro de achar o episódio até meio chato, devido a enorme insistência da personagem e da grande repetição do "e lá vamos nós". Ela simplesmente não se cansa. Vassoura após vassoura, a velha bruxinha segue tentando, com a certeza que uma hora irá achar aquela que tanto procura.

Sua vassoura não era simplesmente uma composta pelos típicos cabo e palha. Sua vassoura a fazia voar, exatamente como devem ser as vassouras das bruxas. E no meio de tantas outras vassouras que se misturavam entre si, nada a fazia desistir de encontrar aquela que era feita para ela, que atendia quando ela gritava "e lá vamos nós".

No final das contas, eu não consigo lembrar se ela encontra sua vassourinha no episódio ou o que quer que seja. Na verdade isso pouco importa. E daí se ela passou a eternidade repetindo sua fala, arrastando o pé enquanto se agarrava a uma nova vassoura, acreditando que dessa vez voaria? Isso tanto faz. Ela merece respeito porque não desistiu e é isso que me marcou tanto. Não há como não se inspirar com tamanho exemplo de persistência. 

A gente precisa aprender com tipos como o dela, que não param quando percebem que "não foi dessa vez". Precisamos aprender a acreditar que existe por aí, no meio de um tumultuoso estoque de vassouras, aquela que é feita para cada um de nós. E não há problema em experimentar cada uma delas, desde que tenhamos sempre a mesma disposição ao soltar o comando e esperar pra ver se dessa vez vamos alçar voo. 

E se não voarmos - tudo bem! Vamos torcer para que hajam novas vassouras e muita disposição para tentarmos outra vez. Mas tenhamos pressa, pois pelo o que ouvi dos passáros e das bruxas, voar é bem divertido. Então? "E lá vamos nós"?



domingo, 4 de setembro de 2011

Parece fácil, mas é difícil

É tão fácil julgar os outros, né? Olhar pro lado e apontar o dedo na direção de outra pessoa é uma tarefa mole de se cumprir, ainda mais se você não souber nada sobre ela. Difícil é procurar entender, compreender todo o contexto, analisar o conteúdo, indo bem além do superficial. Mais difícil ainda: se colocar no lugar do julgado

Engraçado falar assim. "Julgado". Vamos abandonar o politicamente correto, chutar nossas hipocrisias e admitir que sim, mesmo não querendo, julgamos as pessoas. O tempo todo, diga-se de passagem. Não adianta dizer que "nããão, eu não julgo ninguém" que é mentira - julga sim! Eu julgo. Sou humana cheia de erros e falhas. Por favor, não me faça sentir que sou a única má desse conto de fadas tortuoso.

Mas como disse, contar a história a partir de um ângulo é moleza. Basta arrumar um cúmplice disposto a se render à alguns minutos (ou horas) de papo-furado (ou fofoca...), um assunto (no caso, um alguém) e algumas pedras nas mãos para que o serviço seja completo (olha eu aqui, julgando quem julga também. rs).


Na universidade eu aprendi com uma professora que não dá pra escrever uma reportagem com um único entrevistado. É preciso ter fontes confiáveis, personagens interessantes e que apresentem pontos de vistas minimamente diferentes ou que reforcem a fala do personagem anterior. Vamos trazer isso pro nosso dia-a-dia, independente de nossas graduações, que tal?

Acho que tô dando voltas pra falar algo que na verdade eu ainda não sei expressar. Vamos lá: me sinto julgada. E eu odeio ser julgada sem uma defesa. Pff! Vamos assumir: quando damos a oportunidade da pessoa na berlinda se defender, né?

De uma coisa eu sei: a juíza do meu caso sou eu mesma. Não importa o que pensam, o que falam ou o quão bruxa má do leste o mundo acredita que eu seja. Eu tô é dando mole deixando-me abater com opiniões alheias. Mas também existe um lado positivo: ao passar por essa "triagem" eu percebo que as pessoas com que eu mais me importo conseguiram fazer uma boa leitura da minha história e me compreendem. E além disso: me respeita e apoiam.

É triste perceber que existem olhos que me fuzilam, pedras que me acertam e palavras que, mesmo eu não ouvindo, me cortam. Mas quem me julga tem seu direito. Quem me condena, pode não me conhecer.

Precisamos abrir nossas mentes para um sem-número de aspectos da "sociedade moderna", mas quando o assunto é a vida de outra pessoa, rapidamente nos debruçamos sobre a janela, cruzamos os braços e começamos a destilar palavrinhas afiadas como bem faziam as guardiãs das fofocas de novela de época. 

Ok. Vão em frente: estou de braços abertos esperando cada uma das unhadas que estão por vir. Fiquem a vontade. Saibam que eu posso - e certamente, vou - chorar, mas eu conheço a minha história. Só Deus sabe quem eu realmente sou - e tenho fé que um dia ele me conte - e o que há dentro de mim. Estão todos livres para olhar meus lençóis no jardim através de janelas cujos vidros estão sujos. Eu sei como eu os lavei. Sei por que os escolhi e por que me envolvo com eles.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pra quê homem?

- Nando, vai embora não! Me faz companhia enquanto pinto as unhas.
- Mas eu preciso ir emb...
- Não! É superrápido!
- Tá...
- Olha, que esmalte você acha legal? Tenho o Hippie Chic, o Invejável, o Café Italiano, o Jeans e o Rosa Antigo. Adoro essas cores da Colorama!
- Ah... esse Jeans é bonito...
- NÃO! Estava com ele outro dia mesmo. Escolhe outro.
- Então esse...
- O Rosa Antigo também não! Gosto muito, mas é outro que sempre uso.
- O Café Italiano! Esse é bem bonito!
- Café? Amanhã eu vou ao circo! Como eu vou aparecer lá com uma unha tão séria? O que o palhaço vai pensar de mim? Não, Café Italiano não...
- Aff! Então...
- Ah, vou pintar com o Hippie Chic mesmo!
- PORRA, PRA QUE VOCÊ PEDIU MINHA OPINIÃO SE JÁ SABIA COM QUAL PINTAR? PRA VER SE EU ADIVINHO SEU PENSAMENTO?!
- hahahahaha é...

Ah, gente, vamos combinar, né? Pra quê a opinião de homem?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

No final das contas nós não temos sequer o direito de exigir nada de ninguém. O máximo que podemos fazer é deixar que as pessoas nos dê aquilo que merecemos receber.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dieta djá!


CALMA, GALERA! Antes que algum engraçadinho faça o célebre comentário sobre dieta para uma pessoa magra como eu, explico logo que minha dieta tem a ver com fechar a boca sim, mas é um pouco diferente.

Como já ficou claro, não tenho problemas com comida, com o que "entra" (oooooooolha, rs) em mim. Meu problema é o que sai. Essa minha carinha de "boneca", delicadinha e cheia frescurete na verdade esconde um pedreiro grosso que só sabe falar merda. Eita... olha o problema aí.

Isso mesmo, pessoal: palavrão. É foda...
Sou muito desbocada. Falo palavrão com muita naturalidade, sem pensar. Ela já está inerente ao meu vocabulário, é como se fossem "vírgulas ou pontos de exclamações" de minhas frases, como bem dizia aquela dupla de humoristas.

A verdade é que eu não costumo achar palavrões falta de educação ou mesmo ofensas. Obviamente, eles são em determinadas ocasiões. Raramente você me verá falando palavrões e/ou xingando alguém enquanto estou no meio de uma discussão séria. Isso só acontece quando eu estou realmente muito irritada e mesmo assim só saem palavrões "leves" como "foda-se" (não para a pessoa).

Palavrão, pra mim, é força de expressão, espontaneidade. A gente tropeça e fala um palvrão. A gente vê uma coisa muito maneira na rua e fala um palavrão. A gente se depara com alguma coisa muito ruim e fala palavrão. A gente se assusta e fala palavrão. Tem palavrão pra tudo, ora bolas! Eu até penso palavrão. "Que fulha da puta bonita!" ou "Caralho, tô muito fodida...". E é tudo, como disse, natural.

Mas eu exagero. O fato de eu achar comum e banal não quer dizer que o resto da sociedade também acha um "puta que pariu" comum e banal. Até porque ele não é, eu é que naturalizo muito isso tudo. 
E além disso, também acabo sendo um exemplo ruim a ser seguido. 

Quando eu conheci o Giuseppe, ele não falava palavrão. Quando terminamos, a boca dele já tava mais suja que banheiro da Central. rs A Hosana também. Ela não tem exemplos palavrudos em casa - eu tenho! Minha vó sempre soltou um ou outro por aqui, rs. Véia safada! -, mas fala uns palavrões bem "feinhos" para uma mocinha que, certamente aprendeu comigo. Não que ela seja influenciável, mas eu digo palavrões de maneiras despretenciosas, quase cômicas. Eles compõem minhas frases, ajudando a preencher lacunas e dar ênfase. Nada demais. Não é de se estranhar que alguém perceba essa "casualidade verbal" e a insira em seu próprio vocabuilário.

O foda (!!!) é que meu irmão caçula, de 12 anos, vai pelo mesmo caminho que eu. Nada contra, afinal, o que eu posso dizer? Só complica porque ele não tem discernimento suficiente para entender que quando se fala um palavrão sem pudores como eu, é necessário saber quem está a sua volta, afinal, não são todos que aprovam esse tipo de comportamento. Entretanto, o mais importante é reconhecer a hora de falar. Soltar um "vai tomar no cu" enquanto se está numa conversa informal e relaxa com amigos, é diferente de mandar alguém tomar no cu quando se está no meio de uma briga séria. E ele não sabe disso ainda. 

É complicaodo e demorado fazê-lo entender, mas um dia a gente chega lá. MAs por via das dúvidas, vou fazer uma dietinha, afinal, não preciso falar tantos palavrões assim. Assusta as pessoas, me deixa feia aos olhos de pessoas que quero que me vejam bonita. Infelizmente, por vezes, me tira o respeito e isso não é nem um pouco agradável, não é mesmo?

Então vamos lá? Vamos prestar atenção ao que eu falo, escrevo e até mesmo penso, porque de nada adianta segurar no último milésimo de segundo um "cacete" e pensar coisas piores. Nossas palavras começam dentro de nossas cabeças, poxa vida. Dizê-las é apenas o final do processo, a última e irreversível parte. Quero não só uma boca menos suja, mas uma mente também mais limpinha.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O café

"Naquela manhã, o café era quente e os pães, macios. As velhas vidraças permaneciam embaçadas e os beirais de suas janelas ainda guardavam a poeira que insistia em fazer morada naquele ambiente tão distinto. Os bules eram lustrosos em cerâmica de cores e tamanhos variados, despretenciosamente dispostos sobre a gelada mesa de mármore que, por sua vez, fazia trio com duas velhas cadeiras de madeira maciça. Nada mudou depois da manhã de uma data já esquecida, quando a primeira xícara de café fora servida. Tudo está como era desde o princípio. A decoração se mantinha da mesma forma que o dono, um snehor cuja história pouco se sabe, um dia idealizou. Ou não. Talvez cada item que compunha aquele cenário fora alocado de maneira desproposital e ingênua.
 
No interior da loja, o espaço ainda era tomado pela sonolência e preguiça das primeiras horas do dia de todos que a visitavam religiosamente para dejejuar. Naquela pequena constução de poucos metros quadrados, o abajour, herança de não se sabe quem ao pouco afamado proprietário do lugar, se funde às mesmas luzes que emanam de cada cliente. Discretamente, toma seu lugar num canto qualquer para dar um pouco de cor de vivacidade às conversas despretenciosas. É certamente ali que se encontram as moças solteiras à procura de rapazes e casais fadados á rotina diária de sentarem frente um ao outro e conversarem sobre o nada. repetidamente, dia após dia, como se fosse a pintura em um velho quadro."


Texto produzido na oficina "O Escritor Como Guia" com a escritora Tatiana Salen Levy. A atividade era escrever um texto que iniciasse um romance, baseado em um quadro. Saiu isso aí. rs
São João de Meriti, 10 de agosto de 2011
Por Jéssica Oliveira

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A confiabilidade do horóscopo


Como boa cristã que sou, vejo meu HORÓSCOPO diariamente. É uma sem-vergonhice só, eu sei.
Daí que hoje, mais que em qualquer outro dia, o horóscopo para pessoas de touro (eu!) me chamou muita atenção.

Costumo sempre visitar dois sites para ver o que os astros reservam para mim: UOL e Capricho (o design deles é lindo! Adoro aquele tourinho roxo).

Hoje o horóscopo da UOL foi categórico e já chegou me colocando mais pra baixo do que eu já estou:


"Importante lidar com paciência com seu orçamento e manter a cabeça fria com dinheiro em geral. Adie decisões que possam comprometer sua segurança material. Escolha o alvo e as palavras com seus clientes, parceiros e amigos. Amor em baixa."

Poooorra! Começar o dia com o aviso prévio de que tô com o amor em baixa é ou não é bom demais?

Agora se liga no que diz o site da Capricho:


"Este é um ótimo momento para ir às compras, taurina. Você está com uma lábia daquelas e será capaz de fazer altos negócios, pechinchar horrores e conseguir descontos incríveis. No amor, a palavra de ordem é comunicação. Expresse seus sentimentos! Nas amizades, cuidado com pessoas fofoqueiras, fique de olho. Para curtir sua última semana de férias, gaste um pouquinho de dinheiro!"

Gastar um pouquinho de dinheiro? Qual dinheiro?! Alguém avisa pra eles que estamos no final do mês, por favor?! E se prestarem atenção, vão ver que o horóscopo da UOL diz justamente o contrário quando o assunto é grana.

Astros, seus lindos, resolvam-se!!!

E agora José?

Cadê aquele silêncio pra nos fazer pensar quando a gente precisa dele?
E não me refiro ao "silêncio no recinto", não. Tô falando do calar interior, que me faz ouvir a mim mesma.  Cadê? Cadê que meus pensamentos colaboram e resolvem andar no mesmo passo que meu coração?

Acho que preciso ficar um pouco sozinha. Contemplando a minha própria companhia.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O prazer de comer

Sem trocadilhos, hein. rs 

Ah, gente, vamos combinar? Comer é muito bom!
Eu sou uma alegre comilona de marca maior, mas infelizmente não sou boa na cozinha; só entro pra lavar a louça - e pra comer, obviamente.

Daí que outro dia eu tava comentando com um amigo que existem comidas que fazem mal ao corpo, mas superfazem bem à alma. E não, não estou falando de luz e água porque não sou nenhuma planta monja. Tô falando de comer besteira e não vou nem entrar no mérito de citá-las porque, com certeza, você sabe bem do que eu tô falando.

Nessas férias eu resolvi ler "Comer, Rezar, Amar" para me desintoxicar. Não tava aguentando mais ler aqueles textos acadêmicos chatérrimos da faculdade para fazer prova, trabalhos, seminários... Ai! Peguei o livro emprestado com uma amiga e estou me deliciando com cada palavrinha daquele diário muito bem escrito sobre "a busca de uma mulher por todas as coisas da vida". A começar pelo prazer que só a culinária pode lhe oferecer.

Okay, não sou nenhuma Edu Guedes, toda trabalhada em pratos finos e receitas megaelaboradas. Pra mim, um feijãozinho bem temperado já me ganha. rs Uma vez me disseram que eu na gastronomia sou uma "pedreira", como qualquer coisa felizona. E é sério! Comida não precisa ter nome francês, ingredientes do sul da Itália e temperos do interior da Mongólia. Comida tem que ser simplesmente gostosa, que me faça soltar um "hummmm" na primeira garfada e pense no quão alegres e bem-vindas são calorias que estou ingerindo.

No livro, a escritora-personagem conta que estava passando por um período muito difícil, então largou tudo e foi morar na Itália em busca do prazer e da auto-estima (estou sendo sucinta). Ela encontrou essas duas coisinhas através do belíssimo idioma e da maravilhosa culinária. O que prova a nossa teoria (hãm?) de que comida resolve tudo! A própria afirma ter engordado os 11Kg mais felizes de sua vida, 11Kg de puro prazer!

Definitivamente comer é uma atividade muito prazeirosa. Fico com dó da galera que precisa seguir dietas para emagrecer e tal. Deve ser péssimo ter que calcular cada caloriasinha comida, sempre atento às informações nutricionais. Eu não quero saber das informações nutricionais! Não quero saber se tem mais gorduras e carboidratos num lindo prato de macarronada do que eu posso comer. Foda-se se o refrigerante vai deixar minha bunda branca cheia de celulites (okay, apaga essa parte aí. Exagerei bonito! Celulite não! rs).

segunda-feira, 25 de julho de 2011

#Como ter um sábado premiado

Fazendo pose pra mamãe

 O celular toca. Minha mãe avisa que está pegando o ônibus e pede que eu a encontre no ponto para ajudá-la com umas sacolinhas de compras, pois devido a tendinite, não pode pegar peso.
Paro de varrer o quarto da minha vó que está passando uns dias na casa da minha tia em Caxias e me preparo para sair. Visto uma bermuda jens, um casaco de moletom, solto o cabelo, pego a bicicleta do meu irmão e vou para a rua.

O ponto de ônibus não é tão distante. Saio da minha rua e sigo por uma outra bem estreita. No final dessa ruela, existe uma pequena rampa, então pego impulso para não precisar descer da bike para subí-la. Nesse pequeno esforço, quando estou no meio da subida, a corrente da bicicleta sai. A força que eu fazia, fez com que minha perna direita pedalasse pra baixo, impulsionando a esquerda para cima, que encontrou em cheio o ferro do quadro da bicicleta. Ai!!

Perdi as forças, cai pro lado, me apoiando na parede, choramingando de dor. Opa! Um pequeno corte. Ai, que dor! Meu joelho ficou vermelho e, em seguida, roxo. Dor, dor, dor, dor! Gritei quando estiquei a perna e chorei quando tentei pisar no chão. 

"Okay, pessoas, podem apenas olhar meu sofrimento! Continuem passando, bebendo cerveja na birosca. Tô aqui pra divertí-los". Uma senhorinha passou e comentou: "caiu, minha filha?" e foi andando, como se pouco importasse a resposta. "Ah, vai pra porra! Não caí, não, mas meu joelho tá doendo muito!". Tá, só pensei. Me contive em dizer apenas que bati forte o joelho. Nem sei se ouviu; como disse, ela saiu andando.

Caramba e agora? Não posso deixar minha mãe com aquelas sacolas lá! Meu irmão tá com o pé bichado e não pode sair de casa. "Te vira, Jéssica". Subi urrando de dor na bicicleta e quase caí de novo. "tonta, saiu a corrente, lembra?". Sujei minhas lindas unhas (que tinham visitado a manicure no dia anterior) com a graxa da corrente - porque, obviamente, todos os cavalheiros estavam extremamente ocupados bebendo e me observando - e fui pedalando meio que numa perna só. 

Quando cheguei, minha mãe já estava me esperando. Contei pra ela o que tinha acontecido e abri o berreiro! Incrível como minha mãe tem o poder de me fazer soltar choro reprimido. Mãe, né? Um dia eu entendo.

Ela foi pra casa levar as compras - e a bicicleta - enquanto eu permaneci no ponto de ônibus chorando de dor, descabelada, com dedos sujos de graxa, casaco roubado do meu irmão e puta com o universo, que cagou e andou pro meu momento de dificuldade.
Até que um estranho de bicicleta para bem na minha frente e pergunta se eu queria ajuda pra ir pra casa, pois tinha visto que eu havia machucado o pé. Deve ter sido quando encontrei com minha mãe e fui mancando até o ponto do outro lado da rua. Rapidamente o observei e senti que ele estava sendo sincero, mas também não pude deixar de notar que a bicicletinha laranja dele não teria como me carregar. Ainda assim sorri muito verdadeiramente e agradeci, explicando-lhe que minha mãe havia ido em casa para buscar meu cartão do plano de saúde e me levaria até o hospital.

"Tá bom, universo, essa valeu"

quinta-feira, 21 de julho de 2011

almas incompatíveis?

Não sei se é só comigo, mas você já esteve na presença de certas pessoas que parecem sugar as suas energias?

É estranho. Sabe aquela sensação de "santo que não bate"? É mais que isso, porque, geralmente, quando nosso santo não bate com a de outra pessoa, nos damos mal, brigamos e etc. Não chega a rolar desentendimentos, mas parece que a pessoa tira você de si, te desnaturaliza. 

Existem pessoas que do nada, sem papo, sem você nunca ter visto, te deixa superavontade, como se ela soubesse axatamente o quê e como fazer para você ficar bem, sem esforços pra socializar, você sendo você mesmo. Mas infelizmente existem exatamente o oposto.

Não é uma questão proposital. Parace que as essencias se chocam e uma acaba "ganhando" uma disputa imaginária de personalidade, dominando o ambiente, fazendo que, involuntariamente, outra perca sua força. De boa? Chego a me sentir mal, desconfortável, sufocada. Literalmente sem energia.

Ok, me chamem de louca! Não sei mesmo se o que estou dizendo faz sentido, mas é o que sinto. Será que tá dando pra entender? Eu acho estranhíssimo quando me sinto desconfortável na presença de alguém que é, a olhos vistos, uma pessoa bacana. Mas não pra mim.

E tenho uma lista razoavelmente grande de pessoas que me fazem sentir assim. Não entendo.
Não é uma questão de "ah, é porque você não conhece a pessoa" porque eu já me dei superbem com inúmeras pessoas de cara, só de olhar. 

Freud explica?

terça-feira, 12 de julho de 2011

sobre paixões

            Você já se apaixonou? Quando se está apaixonado por alguém, seus olhos brilham apenas ao ouvir o nome da pessoa amada. Uma vibração estranha invade seu corpo quando ouve sua voz, quando vê seu nome na tela do celular enquanto toca a música que você reservou com tanto carinho para aquele contato. Nada é banal quando se está apaixonado. Cada conversa pode durar intermináveis horas, ainda que o assunto em questão seja o mais tolo de todos.
            Engana-se, porém, aquele que pensa que a paixão está unicamente relacionada à dois corpos. Paixão não está relacionada apenas ao desejo físico. A paixão deve estar entrelaçada na vida como um todo. Apaixonado – e por consequência, feliz - é aquele que consegue fazer com que atividades simples e banais do dia-a-dia se tornem magníficas e esplendorosas.

            Lembro de minha infância, quando minha mãe torcia para que eu fosse médica quando crescesse. Seu maior sonho era me ver vestida de branco, cuidando da saúde de crianças, da mesma forma com que via, admirada, as médicas cuidarem de mim. Coitada. Será que ela não percebia o quanto eu detestava aquele ambiente? Não percebia que minha única consolação nos dias de consulta era conversar com os outros pacientes na sala de espera? Não posso acreditar que minha própria mãe não notava meus olhos brilhando enquanto alguém me contava uma história - qualquer que fosse -para distrair a pobre menininha louca para voltar para casa.
            E até hoje meus olhos brilham. E sei que minha mãe também sente algo intenso dentro de si quando termina de bordar as inúmeras pérolas em um vestido de noiva e vê os olhos de uma jovem moça brilharem ao olhar seu reflexo no espelho. Eu sei por que nós três dividimos o mesmo sentimento, ainda que empregados de formas diferentes.
            Da mesma forma com que minha mãe, ainda que com o punho esquerdo sempre dolorido devido os mais de 15 anos dedicados à profissão, enfeita delicada e cuidadosamente o traje mais importante que uma mulher pode vestir, me ensinaram a ouvir cada história como se fosse a última a que eu pudesse me deleitar.
            Ela sempre choraminga de dor. Dói a tendinite que a impede de muitas fezes segurar uma garrafa de refrigerante. Mas suas palavras nunca mudam quando pergunto por que não larga a vida dos bordados: “eu amo muito o que faço”, diz olhando nos meus olhos.

            Cada noiva é única para minha mãe, ainda que o vestido alugado seja o mesmo. Assim somos nós, aspirantes a jornalistas. Nenhuma história é igual à outra. Nenhuma marca, nenhuma cicatriz, nenhuma lágrima, nenhum sorriso. Ninguém é igual a ninguém. A forma de lidarmos com essas diferenças não vem descrita em nenhum manual. Dia após dia, minha mãe descobre um novo bordado e eu, uma nova forma de reportar a vida de alguém.

            Pela vida de minha mãe, passaram patroas e amigas que a ajudaram a desenvolver sua arte. Pela minha, ouve, em especial, um mestre. Não me esqueço de suas palavras: “você nasceu para escrever”. Se foi pra isso que eu nasci, ainda não sei. Mas sei que quando o faço, sinto borbulhar algo forte, que me pressiona até que eu acabe de escrever. Aquela frase despertou em mim uma paixão adormecida. E desde então, aquela mesma voz vem me ajudando a nutrir e desenvolver esse sentimento. A mesma paixão que me arrebata quando alguém escreve em mim sua história através de palavras ditas e gravadas em meu pequeno gravador e em minha memória.
            E essa experiência não é exclusividade minha e de minha mãe. Não é algo que ela me transmitiu pelos genes. Existe uma paixão em cada um de nós que nos faz capazes de tornar algo diferente de tudo o que possa parecer se assemelhar. E o fazemos de tantas a tantas formas. Escrevendo textos secretos, compondo raps impactantes, adornando vestidos brancos, vestindo camisas vermelhas e pretas. São paixões que borbulham. São sentidos, sentimentos e sensações que nos arrebatam e nos transformam em indivíduos, não em números. E nós, por vez, individualizamos o que possa simbolizar nossas paixões.
            Essas palavras podem até parecer copiadas de algum livro de auto-ajuda perdido numa estante empoeirada de um sebo. Que pareçam, então. Mas você há de concordar que, sem paixão, não se chupa  nem um picolé.